Portal Dignus

Mais um site WordPress

Como estão os enfermeiros em Portugal? A realidade de 2022

4 min read
A propósito do Dia Internacional do Enfermeiro, a Dignus foi investigar a realidade destes profissionais na atualidade.
enfermeiros em portugal

Um inquérito feito a 8 mil enfermeiros foi revelado no início de maio, no encontro “Todos pela Saúde”, que aconteceu em Braga. Nesse estudo, os profissionais da saúde foram diagnosticados com esgotamento físico, psicológico e remuneratório. Na verdade, a maioria dos enfermeiros do Serviço Nacional de Saúde (SNS) admite prestar cuidados menos adequados devido à sucessiva falta de materiais e de profissionais nas unidades de saúde, sobretudo nos hospitais. A grande maioria afirma mesmo sentir-se, muitas vezes, em “sofrimento ético”. É o que consta no inquérito feito pela Universidade Nova, o Instituto Superior Técnico e o Observatório para as Condições de Vida e Trabalho.

Segundo o Jornal Expresso, 85% dos enfermeiros sentem que fazem tudo o que podem com a consciência de que, mesmo assim, não chega. Igualmente, 84% dizem perceber que, não raramente, são impostas opções de tratamento em que não se reveem. “Os enfermeiros vão contra o que sabem ser certo ou agem em risco. Por exemplo, não viram o doente as vezes necessárias, sabendo que vai ter feridas, ou arriscam fazê-lo sozinhos porque não há outro colega para ajudar”, explicou Raquel Varela, coordenadora do estudo. Esta realidade espelha-se nos 55% de participantes do estudo que confessaram já ter agido contra os códigos de ética e normas de conduta, por constrangimentos materiais ou orientações da instituição.

Por isto e pelas más condições de trabalho, como a remuneração e o pouco descanso, quase dois terços dos enfermeiros já consideram mudar de profissão. O Estudo Nacional sobre as Condições de Vida e de Trabalho dos Enfermeiros em Portugal decorreu nos últimos dois anos e analisou vários aspetos, como o nível de desgaste destes profissionais, o “burnout”, o assédio moral e o ordenado. “Mais de 60% dos enfermeiros já pensaram abandonar a profissão porque estão completamente desmoralizados com as suas condições de trabalho”, completou Raquel Varela em declarações à LUSA.

Os enfermeiros escolhem ficar em Portugal?

Esta é uma das grandes problemáticas do momento, segundo a bastonária Ana Rita Cavaco. Para ela, Portugal não tem um problema de formação, mas sim de contratação. A bastonária da Ordem dos Advogados acredita que os enfermeiros vão continuar a emigrar se não tiverem incentivos, como a valorização da carreira, a redução de idade da reforma e a consideração de desgaste rápido da profissão.

Presente em braga para o Congresso dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco observou que Portugal não tem como concorrer com outros países. “Os outros países pagam a especialidade aos enfermeiros e em Portugal ainda não conseguimos, apesar de insistirmos há quatro anos, negociar o internato da especialidade, tal como têm os médicos e os farmacêuticos”, criticou.

Para a bastonária, não faz “sentido nenhum” não existir um internato de especialidade, quando existem provas de que um cuidado especializado reduz taxas de infeções, de reinternamentos e do número de dias de internamento, o que iria permitir poupar cerca de 65 milhões de euros por ano. Esta é uma realidade cada vez mais importante quando olhamos para o aumento da taxa do envelhecimento da população portuguesa e o peso que essa situação aplica no SNS. Segundo Ana Rita Cavaco, é preciso encaminhar a população mais velha para um cuidado feito pela comunidade, privilegiando “um sem número de serviços que as apoiem em casa, antes de institucionalizá-las”.

Pessoas sem doenças agudas que levem a internamentos, podem necessitar de cuidados de enfermagem 24 horas por dia e “seguramente não são os lares ou, pelo menos, os lares com a tipologia que conhecemos hoje, que vão dar resposta a estas pessoas. Isto porque têm uma limitação do número de horas de enfermagem muito grande e um número de enfermeiros por residente que não serve as necessidades como, aliás, ficou agora à vista na pandemia. Não é só dar de comer à pessoa, dar-lhe banho, vesti-la. As pessoas têm outros tipos de necessidades de saúde, consoante o envelhecimento e as suas doenças crónicas”, salientou.

O Dia Internacional da Enfermagem celebra-se todos os anos a 12 de maio e tem como objetivo homenagear todos os enfermeiros do mundo e relembrar a importância destes profissionais na prestação de cuidados de saúde à população em geral.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.