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Cancro não diagnosticado nos olhos pode levar à morte

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"Um diagnóstico precoce e um tratamento adequado podem salvar a visão do olho afetado e, por vezes, salvar a vida do doente”, destaca João Pedro Marques, Coordenador do Grupo de Onco-Oftalmologia da SPO.
Cancro nos olhos

Por ocasião do Dia Mundial da Luta contra o Cancro, assinalado a 4 de fevereiro, a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) alerta para a importância dos processos oncológicos que podem envolver o olho, tanto em idade pediátrica como em idade adulta.

Segundo a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO): “São vários os fatores de risco que podem contribuir para o desenvolvimento de lesões tumorais oculares, nomeadamente a genética, o estado imunitário, a cor da pele, a exposição à luz solar e radiação ultra-violeta. Um diagnóstico precoce e um tratamento adequado podem salvar a visão do olho afetado e, por vezes, salvar a vida do doente”, destaca João Pedro Marques, Coordenador do Grupo de Onco-Oftalmologia da SPO.

Os tumores oculares malignos podem ser primários (com origem no próprio olho) ou secundários (isto é, metástases de tumores à distância como, por exemplo, mama ou pulmão). Por outro lado, os tumores primários do olho podem também enviar metástases à distância para outros órgãos alvo, mais frequentemente o pulmão e o fígado, podendo colocar em risco a vida do doente.

Já em idade pediátrica, o retinoblastoma é o tumor maligno intraocular primário mais frequente, surgindo até aos 5 anos em cerca de 90% dos casos. O reflexo pupilar branco (leucocória) e o estrabismo, são os sinais mais frequentes e, sem tratamento, o retinoblastoma leva à morte entre 2 a 4 anos, por invasão do sistema nervoso central e metastização à distância. Contudo, se identificado e tratado precocemente, a sobrevida é muito elevada (90%). Desde 2015 que o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC) é Centro de Referência Nacional para o tratamento destes tumores, recebendo e tratando crianças de todo o país e também dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

Em idade adulta, “(…) os tumores malignos intraoculares mais frequentes são o melanoma e as metástases. O melanoma da coroideia pode atingir grandes dimensões, provocar perda da visão e colocar em risco a vida. O seu tratamento deve ser realizado num Centro de Referência, que em Portugal se localiza também no CHUC. A metástase coroideia pode atingir um ou ambos os olhos de uma forma uni ou multifocal. Apresenta um crescimento rápido e provoca quase sempre alterações da visão. “Nalguns casos, a metástase ocular pode ser detetada antes do tumor primário, daí a importância de toda a população ter acesso a consultas regulares de Oftalmologia”, sublinha João Pedro Marques.

A SPO reforça a mensagem: independentemente do tipo de lesão tumoral, quanto mais precoce for o diagnóstico e o tratamento, maior a probabilidade de cura.