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16 de Maio, 2022

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Ilda Góis – NorteCare

9 min read
Texto por Marta Caeiro
NorteCare

“Nós seremos na velhice o que projetarmos durante a vida”

O ritmo acelerado em que vivemos o dia a dia faz com que tenhamos cada vez menos disponibilidade para nos dedicarmos completamente a certas questões familiares. Fundada há 17 anos, a NorteCare – Apoio Domiciliário à Família, Lda foi pensada para responder a estas necessidades, dando autonomia às famílias e aos seus idosos.

Atualmente diretora técnica, Ilda Góis deu-nos a conhecer a empresa que ocupa hoje um lugar de destaque no setor privado do apoio domiciliário, deixando também o seu olhar sobre o mercado do presente e do futuro.

Dignus: Como nasceu a NorteCare e quais as respostas que veio dar ao mercado?

Ilda Góis: A NorteCare, fundada há 17 anos, é uma empresa que se dedica ao apoio domiciliário, no Grande Porto, composta por uma equipa de profissionais nas áreas da saúde, geriatria, serviço social, entre outras.

Em 2003, o apoio domiciliário privado era visto como algo estranho e fora dos padrões da época. Esta resposta social durante longos anos foi da responsabilidade de instituições da rede solidária. A NorteCare e outros SAD (serviços de apoio domiciliário) vieram revolucionar um pouco a economia social e responder a necessidades que as instituições da rede solidária não conseguiam dar resposta. Começamos a trabalhar num pequeno escritório que reunia as condições exigidas pela Segurança social para o funcionamento desta valência, bem diferente do espaço que ocupamos atualmente. Os primeiros anos não foram fáceis, uma vez que havia a ideia de que éramos essencialmente empresas lucrativas, mas com o tempo essa mentalidade mudou. Hoje somos reconhecidas como empresas essenciais na prestação de serviços domiciliários com uma importância significativa para as famílias.

Ilda Góis da NorteCare

Há 17 anos, um dos maiores problemas com que nos deparámos foi falta de mão de obra qualificada para fazer este trabalho. Atualmente, já existem muitas formações disponíveis na área da Geriatria, mas continua a haver falta de pessoas que gostem de trabalhar nesta atividade. Na nossa atividade, na maioria das vezes lidamos com o final da vida e isso é uma situação pouco atrativa. São necessários cada vez mais cuidadores com formação para lidar com as várias patologias da terceira idade e principalmente com as demências que acompanham a maioria dos idosos e que nem todos conseguem compreender e lidar.

Outra das dificuldades que sentimos no início foi a participação dos cuidadores no espaço privado das famílias. Embora existisse a necessidade de um apoio domiciliário diferente, por parte das famílias e doentes, mais personalizado e adequado a cada situação, existia grande relutância à mudança nas próprias famílias. Os nossos cuidadores passaram a fazer parte do espaço familiar dos doentes e com isto as famílias passaram a funcionar de forma diferente. Hoje a maioria dos nossos clientes diz que não sabe o que faria sem empresas como a NorteCare, pois o ritmo acelerado em que vivemos o dia a dia faz com que tenhamos cada vez menos disponibilidade para nos dedicarmos completamente a certas questões familiares.

A NorteCare veio criar autonomia às famílias e aos seus idosos para que estes possam ter os cuidados necessários ao seu estado de saúde sem terem de sair da sua casa. Quando criamos a NorteCare, estávamos longe de imaginar que esta empresa tivesse a dimensão que tem hoje, quer ao nível de volume de negócios, quer ao nível dos recursos humanos que emprega. Sendo das empresas pioneiras na atribuição do Alvará de funcionamento, hoje ocupa um lugar de destaque no setor privado do apoio domiciliário.

Dignus: Que serviços são hoje prestados?

Ilda Góis: Inicialmente com serviços mais limitados, hoje conseguimos responder tanto a situações temporárias de convalescença como a situações prolongadas ou mesmo terminais. Temos clientes que usufruem dos nossos serviços diariamente, outros que nos pedem ajuda pontualmente em situações de doença ou incapacidade temporária da família estar presente ou outros ainda que têm os nossos serviços em complemento com os serviços da rede solidária. Nós adequamo-nos a cada cliente e a cada situação. Fazemos desde a simples higiene até serviços de “acompanhamento” diurno/noturno em doentes com doenças como as demências, doenças oncológicas… com maior ou menor dependência física e psicológica. Atuamos na zona do Porto e Grande Porto e procuramos promover de forma personalizada e responsável a melhoria da qualidade de vida de todos os que precisam de um cuidado mais próximo. Nesta ótica, oferecemos um serviço de qualidade, competência, sensibilidade, confiança e responsabilidade, de modo a satisfazer as necessidades de quem nos procura. Prestamos os nossos serviços em qualquer horário e todos os dias do ano.

Nos últimos anos alargamos os nossos serviços de forma a dar resposta a outras necessidades tais como as consultas no domicílio de médico e dentista, cuidados de enfermagem, de fisioterapia, terapia da fala, terapia ocupacional. Tentamos desta forma ajudar a dar resposta às necessidades de todos os que não podem sair do domicílio ou têm dificuldade para o fazer. Alargamos também a nossa resposta aos equipamentos (ajudas técnicas) e materiais de incontinência com entrega no domicílio. Somos a retaguarda das famílias e contribuímos para um envelhecimento saudável e humanizado.

“A NorteCare veio criar autonomia às famílias e aos seus idosos para que estes possam ter os cuidados necessários ao seu estado de saúde sem terem de sair da sua casa. ”

Ilda Góis, NorteCare

Dignus: E quem são os profissionais que prestam estes serviços?

Ilda Góis: A NorteCare dispõe de uma equipa de profissionais multidisciplinares, onde a formação, a vocação, a experiência e a sensibilidade são imprescindíveis para o desempenho de um trabalho com qualidade. Com quase uma centena de cuidadores, o fator humano é fundamental. Os nossos cuidadores trabalham com a máxima descrição e confidencialidade, motivos elementares para quem procura um serviço como o nosso.

Dignus: Com que entidades estabelecem parcerias atualmente e em que medida?

Ilda Góis: Ao longo destes anos, fizemos protocolos com inúmeras entidades no sentido dos associados destas entidades usufruírem de preços mais acessíveis. A maioria dos nossos clientes não são angariados devido aos protocolos existentes, mas antes por recomendação de clientes, atuais ou antigos, que reconhecem a mais-valia dos nossos serviços e a nossa forma de trabalhar, situação que nos enche de orgulho no caminho que temos vindo a traçar. No entanto, as parcerias podem ser todas encontradas na nossa página de Internet, em www.nortecare.com.

Dignus: Quais são as principais necessidades ou problemas com que se confrontam as pessoas idosas que acompanham?

Ilda Góis: Atualmente, temos um grupo de clientes com idade muito avançada e que na sua maioria padecem de doenças do foro neurológico. As demências atingem a maioria da nossa população idosa, o que origina uma grande dependência de terceiros para as tarefas essenciais da vida diária.

Dignus: De que forma a Nortecare cultiva o envelhecimento com qualidade de vida, em alternativa ao internamento?

Ilda Góis: O nosso objetivo é a manutenção da qualidade de vida de quem nos procura, no seu ambiente e junto de tudo quanto faz parte da sua vida, desde recordações, familiares, haveres… No domicílio, os idosos mantêm hábitos, rotinas, amizades e a sua história de vida onde querem e “escolheram” para envelhecer. A Nortecare tem como máxima o respeito da individualidade de cada idoso e a prestação de cuidados personalizados a cada situação, tendo capacidade de resposta desde as situações mais simples às mais complexas.

Dignus: O nosso país está a cuidar bem da terceira idade? O que há ainda por fazer?

Ilda Góis: Penso que não. Mesmo nos países mais desenvolvidos do mundo, a população idosa torna-se um peso para qualquer economia, quer pelo custo na saúde, quer pelo pagamento das reformas. Portugal não foge a essa regra. Atualmente, temos uma grande longevidade das pessoas que não é acompanhada pela qualidade de vida. Aumentam os problemas de saúde e os problemas sociais (como a solidão…) aos quais o Estado não consegue dar resposta.

Acredito cada vez mais que todos temos, individualmente, de programar e projetar, na medida do possível, o envelhecimento. De outra forma é complicado envelhecer aqui e em qualquer outro país. Nós seremos na velhice o que projetarmos durante a vida.

Claro que há muito por fazer. Tudo seria mais fácil se as pessoas conseguissem ter possibilidades de acesso a serviços como o que a Nortecare presta, aumentando significativamente a sua qualidade de vida. Para tal acontecer deveria haver mais incentivos fiscais para os utentes e para as próprias empresas do setor, por serem de utilidade social, bem como incentivos ao nível de comparticipação do Estado às famílias, de modo a possibilitar a manutenção dos idosos no seu domicílio, criando alternativas à institucionalização.

“A NorteCare e outros SAD’S (…) vieram revolucionar um pouco a economia social e responder a necessidades que as instituições da rede solidária não conseguiam dar resposta.”

Ilda Góis, NorteCare

Dignus: Que tipo de riscos associados ao isolamento tem propiciado a atual pandemia de Covid-19?

Ilda Góis: A atual pandemia veio virar o mundo ao avesso. Os idosos com o isolamento imposto pelas autoridades de Saúde entraram num processo de solidão, que é transversal às famílias com maior ou menor rendimentos. A maioria dos nossos clientes, durante o período de confinamento da pandemia, apenas pôde contar com os nossos cuidadores. Os idosos deixaram de ir às consultas médicas, de fazer tratamentos que necessitavam e de socializarem. Fugimos do vírus e caímos num problema grave de solidão. O medo da contaminação paira nas cabeças dos idosos, por serem uma classe de risco. Não estamos habituados a viver desta forma. Mas é certo que ninguém sabe como poderemos, para já, reverter esta situação…

Dignus: Devem ser tomadas medidas diferentes para contrariar esse cenário?

Ilda Góis: Sinceramente gostava de ter uma resposta a esta questão. Teremos que reaprender a viver em sociedade, com diferentes objetivo se princípios de vida, respeitando o distanciamento social, até que o Covid-19 deixe der pandémico e se torne endémico.

“O nosso objetivo é a manutenção da qualidade de vida de quem nos procura, no seu ambiente e junto de tudo quanto faz parte da sua vida, desde recordações, familiares, haveres… No domicílio, os idosos mantêm hábitos, rotinas, amizades e a sua história de vida onde querem e ‘escolheram’ para envelhecer.”

Ilda Góis, NorteCare

D: E quanto ao futuro da empresa, que perspetivas ou novos projetos há em vista?

Ilda Góis: Presentemente estamos a participar de um “projeto-piloto” da Escola de Enfermagem do Hospital Santa Maria do Porto. Recebemos alguns estagiários do curso de Enfermagem, que pela primeira vez podem acompanhar e conhecer os cuidados prestados pelos SAD, como a NorteCare, aos seus clientes e aumentar desta forma os conhecimentos na área do envelhecimento e das necessidades de saúde dos idosos

domicílio até ao final da vida. Uma realidade totalmente diferente dos serviços prestados pelos SAD´S da rede solidária. Super personalizada. Estes estagiários acompanham a nossa enfermeira e as nossas cuidadoras nos cuidados diretos e aprendem a interagir com este tipo de população. A criação de relações nestas idades é muito importante, mas nem sempre muito fácil, quer pela dificuldade de comunicação que muitos têm, quer pelos quadros demenciais que afetam a grande maioria. Quanto ao futuro da empresa, prevemos a continuidade do crescimento que temos vindo a ter, sempre sustentado na qualidade de serviços e na diversidade dos cuidados domiciliários.

Como todos sabemos, Portugal é um dos países da Europa com maior taxa de envelhecimento da população, tendência que se prevê crescer significativamente nas próximas décadas, por isso leva-nos a antever um futuro com muitos projetos neste setor de atividade.

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