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Nuno Ribeiro

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Texto por André Manuel Mendes
Nuno Ribeiro

É importante abrir horizontes para um conhecimento técnico e científico mais atualizado nesta área”

A transição digital é um custo ou um investimento? Esta é uma das principais questões com que as instituições e empresas da área social se deparam num quotidiano cada vez mais exigente, onde se procuram ferramentas e soluções que permitam agilizar o trabalho e os cuidados aos idosos.

Foi com o intuito de dar uma resposta efetiva que nasceu um projeto alavancado por um conjunto de jovens empreendedores. Chama-se GeriCarePro e é uma aplicação web de gestão de unidades geriátricas, paliativas e continuadas, nomeadamente para uma gestão clínica e operacional. Esta plataforma permite um melhoramento da operacionalização das unidades, e tem como principal foco a agilização dos processos e uma poupança efetiva de custos para a entidade.

Nuno Ribeiro, farmacêutico de profissão de base foi um dos mentores deste projeto. Exerceu durante 10 anos a profissão de farmacêutico comunitário mas a sua visão e veia empreendedoras fizeram com que se aventurasse numa nova realidade. O seu irmão, Hugo Ribeiro, começou desde cedo a especializar-se na área da Geriatria, quer medicina paliativa quer cuidados continuados, e desafiou Nuno Ribeiro a criar algum tipo de aplicação web, inexistente e especializada face às necessidades que os profissionais de saúde sentiam, e ao mesmo tempo o mais diferenciado em termos científicos. “Não queremos ser uma mera plataforma de registos de entradas de tarefas, sinais vitais, queremos ter sempre uma componente científica o mais avançada possível”.

A Meritposition, empresa criadora do GeriCarePro, é composta por uma equipa de 5 elementos: Nuno Ribeiro, CEO e responsável financeiro; Hugo Ribeiro, médico especializado em Geriatria, medicina da dor e medicina paliativa, responsável pela parte científica de toda a aplicação; Pedro Caetano, médico especializado em hidrologia, medicina aeronáutica e economia da saúde, que dá o seu contributo na parte do negócio e da comunicação do mesmo; João Pedro, Programador Chefe que coordena a equipa de programação; e Gonçalo Ramos, Engenheiro Informático que está no controlo de qualidade, ou seja, no desenvolvimento de testes na plataforma. Estão no mercado desde setembro/outubro de 2019 e têm uma série de objetivos, projetos e parcerias para o futuro.

A revista Dignus foi conhecer o GeriCarePro e falou com Nuno Ribeiro, empreendedor que admitiu que é “importante abrir horizontes para o conhecimento técnico e científico mais atualizado nesta área”.

Dignus: O que é o GeriCarePro?

Nuno Ribeiro: O GeriCarePro é uma aplicação web de gestão de unidades geriátricas, paliativas e continuadas, nomeadamente para gestão clínica e operacional, ou seja, tudo o que esteja relacionado com processos das rotinas diárias como registo na plataforma dos utentes, controlo das tarefas, avaliações, ocorrências, entre outros. Na parte legal e logística obrigatórias atualmente, quer seja uma unidade social ou privada, queremos facultar ferramentas de gestão que deem uma resposta efetiva às necessidades. Na parte clínica queremos de ter o que de melhor e mais atualizado pode existir no mercado e, para tal, temos algumas funcionalidades que nos diferenciam no mercado.

Em Portugal há uma grande diversidade de gestão, logística, operacionalidade das unidades, não é como em diversos países europeus onde as instituições se regem por determinadas guidelines, ou seja, há uma uniformidade de processos.

Dignus: E que tipo de funcionalidades se podem encontrar na plataforma?

Nuno Ribeiro: Uma das funcionalidades que temos atualmente incorporadas e que nos diferencia no mercado chama-se Critérios de Beers, critérios de medicação potencialmente inadequada, que analisam uma potencial descontinuação/ retirada de medicamentos. Não queremos com isto substituir-nos ao decisor clínico, o médico, queremos ser um auxiliar de decisão. Temos ainda um diagrama corporal que ajuda na identificação de lesões, da sua gravidade e o seu acompanhamento, as escalas de avaliação geriátrica global com avaliação cognitiva, nutricional, motora, entre outros, que vai permitir aos técnicos de saúde intervir, mas também ao medico poder prescrever medicação mais adequada a cada doente.

Esta plataforma possibilita uma visão integrada, totalmente na mesma área, sem haver menus diferentes, para que todos os profissionais possam interagir de uma forma objetiva, simples e prática.

Dignus: Os dados são sempre inseridos pelo profissional de saúde ou contam com algum sistema para monitorização da condição do utente?

Nuno Ribeiro: Para já ainda não há nenhum hardware, mas está em estudo. A sua implementação está a ser analisada numa relação custo/benefício. Colocam-se duas questões, se o mercado quer um sistema desse género e se está disponível para pagar por esse serviço.

Interessa-nos fazer esse upgrade? Sim interessa, mas acarreta sempre tempo e investimento adicional. Temos atualmente alguns equipamentos que irão entrar em fase de testes, mas não é a nossa prioridade. Nesta fase é muito mais importante para nós a internacionalização da aplicação que está já em 5 línguas (português, português do Brasil, francês, espanhol e inglês), do que propriamente a integração de hardware. Mas se sentirmos que o mercado nos pede essa integração estamos disponíveis para integrar qualquer tipo de equipamento, seja para medição de glicémia, pressão arterial, sensor de quedas, entre outros.

E temos outros projetos. Para já esta aplicação é para ser usada num circuito interno de uma instituição pelos profissionais que lá trabalham, mas pode ser aberta a outro tipo de público, como por exemplo os cuidadores.

“Não queremos ser uma mera plataforma de registos de entradas de tarefas, sinais vitais, queremos ter sempre uma componente científica o mais avançada possível”

Nuno Ribeiro

Dignus: Que representatividade tem o mercado português para a empresa e qual a importância da internacionalização da plataforma?

Nuno Ribeiro: Para já ainda não há nenhum hardware, mas está em estudo. A sua implementação está a ser analisada numa relação custo/benefício. Colocam-se duas questões, se o mercado quer um sistema desse género e se está disponível para pagar por esse serviço. O processo de decisão em Portugal não é fácil nem rápido. Se pensarmos que grande parte das unidades em Portugal ainda são sociais, estamos a falar sempre de um processo de decisão complexo porque implica a perceção de que ter um software de gestão é um investimento ou é um custo. Infelizmente muitas das vezes vê-se como um custo. Em Portugal ainda não chegamos à fase em que o familiar tem como ponto do processo de decisão o facto de a unidade estar ou não digitalizada, ou seja, o facto de saber a rastreabilidade dos processos do seu familiar.

Temos atualmente alguns clientes em Portugal, temos muitos contactos previstos, mas a internacionalização é muito importante para nós, e estamos já presentes no Brasil, um mercado que tem uma grande capacidade de incorporação de novas tecnologias que tem pouca oferta nesta área. Queremos despertar consciências para a sociedade, grupos de utentes, família, que para além do preço, da qualidade do serviço, localização, fatores de enfermagem e cuidados médicos, que devem também incluir no processo de decisão a questão da digitalização.

Dignus: Que tipo de formação facultam nas instituições para a utilização da vossa plataforma?

Nuno Ribeiro: Damos formação no processo de instalação de uma plataforma que funciona na cloud, não é um software que é instalado num dispositivo. Deslocamo-nos à instituição, conhecemos a equipa, vemos as suas necessidades, damos os nossos conselhos e informações relevantes para a transição digital. O suporte pode ser dado fisicamente quando nos deslocamos às instalações, podemos ajudar na instalação da aplicação, na dinâmica da equipa com a aplicação, sendo que posteriormente a equipa vai desenvolver a sua própria dinâmica. Pode também ser dado remotamente através de Skype, por acesso remoto, ou através da nossa aplicação que permite comunicar um determinado problema numa determinada página de uma forma simples e intuitiva.

Neste momento temos uma grande disponibilidade para colaborar no desenvolvimento de novas funcionalidades ou na melhoria de funcionalidades existentes.

Dignus: Em 2019 foram distinguidos com o prémio internacional Headstart para a região InnoStars atribuído pelo EIT Health. Qual a importância deste reconhecimento?

Nuno Ribeiro: O EIT Health é um consórcio independente ligado à Comissão Europeia, que tem como sócios as principais indústrias e universidades público-privadas da Europa. Estes recebem financiamento para ajudar startups que estão em processo de desenvolvimento de ideia, outras em processo final de ideia, que era o nosso caso, e ainda programas de aceleração para empresas que já estão no mercado. Todos estes prémios focam-se também no processo de internacionalização das empresas.

Portugal pertence a uma região denominada InnoStars. Nesta região foram 15 as empresas premiadas, em Portugal foram 3, no caso de empresas diretamente relacionadas com o envelhecimento ativo com uma aplicação web deste género fomos a única. Recebemos um financiamento que nos permitiu fazer a transição para o mercado em meados de setembro, investimos em marketing, programação, e estamos neste momento em processo de mentoria com o EIT Health.

Dignus: As novas tecnologias como o GeriCarePro terão um papel preponderante no futuro do envelhecimento?

Nuno Ribeiro: Obviamente esse é o futuro. A geração entre os 35 e os 45 anos atualmente vive com a tecnologia e fez parte de toda esta transformação digital e, como tal, eu não acredito que daqui a alguns anos queiram estar numa instituição que não tenha um suporte digital. Isso é o futuro, vai acontecer para qualquer setor. Eu enquanto familiar de pessoas institucionalizadas ou que poderão vir a estar institucionalizadas no futuro vou estar muito mais sensível a este tipo de questões.

No futuro vamos saber de uma forma segura e rastreável todos os processos e cuidados de saúde que nos foram dados. No caso das plataformas geriátricas poderão encaminhar-se para uma comunicação com os SPMS.

Eu acredito, a minha equipa acredita, e qualquer pessoa ligada a esta área acredita que isto vai ser o futuro. Mas isto não quer dizer que por terem uma plataforma digital passam a ter qualidade, não, nós somos apenas um auxiliar à decisão.

É preciso perceber se a transformação digital é um custo ou é um investimento. Nós fizemos um piloto durante 9 meses em 222 utentes de 3 instituições sociais e privadas, em que lidamos com diversos tipos de realidades, e temos provas do benefício do digital, no nosso caso do GeriCarePro.

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