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Hidroginástica e os seus benefícios na 3.ª idade

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Embora a hidroginástica não seja uma atividade única e exclusiva para idosos, é nesta faixa etária que encontramos o maior número de praticantes.
hidroginástica na terceira idade

Envelhecimento e os seus desafios

O envelhecimento é, atualmente, um dos grandes desafios sociais e clínicos deste século. Nos dias que correm, a população mundial está envelhecida e, de acordo com estudos realizados pela Organização Mundial de Saúde, no ano 2050 prevê-se que os valores aumentem no que diz respeito ao número de pessoas idosas. De acordo com dados das Nações Unidas, a percentagem total de pessoas idosas a partir dos 60 anos de idade era, em 1990, de 9,2%, em 2013 de 11,7% e em 2050 prevê-se que esta faixa etária represente 21,1% da população mundial. Em termos concretos, calcula-se que os 841 milhões de pessoas idosas existentes a nível mundial em 2013 atinjam mais de 2 biliões em 2050. Sobre este tema prevê-se ainda que, pela primeira vez a nível global, o número de pessoas idosas irá ultrapassar o número de crianças no ano de 2047.

O processo de envelhecimento no indivíduo está relacionado com incontáveis transformações físicas e psicológicas. A diminuição da força muscular e flexibilidade articular altera a coordenação motora e o equilíbrio, impedindo a manutenção de um estilo de vida saudável e a prática de atividades da vida diária. Essas alterações interferem na área motora e, aliadas a outras como a diminuição da sensibilidade visual e auditiva e da memória, promovem o próprio isolamento, podendo contribuir para situações de depressão e para a inatividade.

A inatividade no idoso poderá favorecer o aparecimento e o agravamento de algumas patologias que são atribuídas ao envelhecimento, como a doença arterial coronariana (cardiovascular), cerebrovascular (AVC), hipertensão arterial, diabetes, osteoartrite, osteoporose, obesidade, entre outras. Além disso, as quedas e suas consequências são também episódios bastante comuns. Devido aos traumas psicológicos que provocam, os indivíduos idosos receiam uma nova queda levando-os a um estado de imobilidade e inatividade.

Todo este quadro salienta a necessidade de se criarem condições ajustadas para um envelhecimento positivo e para a sua autonomia, produtividade e inclusão na sociedade, diminuindo as suas limitações próprias da idade. A participação ativa na sociedade das pessoas idosas é um dos pontos fundamentais para o envelhecimento saudável, tendo diversos benefícios comprovados, tais como o aumento da saúde mental e da qualidade de vida relacionada com a saúde.

Alguns autores consideram existir três caraterísticas comportamentais comuns ao envelhecimento saudável: prática regular de exercício, manutenção da vida social e do estado de espírito positivo.

Atividade física na Terceira Idade

Tal como referido anteriormente, a prática de exercício físico é um fator decisivo e determinante na melhoria da qualidade de vida. Apesar dos benefícios que se atribuem, não podemos desconsiderar os malefícios que o exercício causará se não for adaptado às caraterísticas fisiológicas do idoso. Antes de iniciarem qualquer tipo de atividade física é necessária a realização de um exame médico e um teste de esforço de forma a aferir o grau de risco relacionado ao exercício praticado e estabelecer intensidades e volumes ajustados ao nível de condição física. Devemos, também, evitar as mudanças bruscas de temperatura ou exposição excessiva ao frio ou calor, que pode, devido à maior dificuldade de adaptação, ocasionar hipotermia ou, no caso de temperaturas muito elevadas, hipertermia. Um programa bem planeado deve conter exercícios para aumento da força muscular, flexibilidade articular e aumento da capacidade aeróbia.

Além dos benefícios fisiológicos, a atividade física proporciona ao idoso dinâmicas coletivas e sociais onde o indivíduo se sente mais feliz, fica bem consigo mesmo e aumenta a sua autoestima, contribuindo para o seu bem-estar e para uma melhor qualidade de vida. A socialização através da prática de atividade física tem o papel de trazer mais diversão para a vida dos idosos e, com isso, mais sorrisos. Portanto, a escolha da atividade deve ser feita de forma cuidada, respeitando as limitações e vontades individuais e que esteja de acordo com o nível de intensidade e duração e proporcione prazer ao ser realizada. Os exercícios ou atividades mais comuns para os idosos são, preferencialmente, as caminhadas, pilates e hidroginástica. Devido à crescente procura da hidroginástica por parte da população sénior, apresentamos alguns aspectos que fazem dessa atividade uma excelente opção.

Hidroginástica

A hidroginástica é uma forma de atividade física aeróbia constituída por exercícios aquáticos específicos, baseados no aproveitamento da resistência da água como sobrecarga. Imerso em meio líquido, um corpo sofre uma força de baixo para cima igual ao peso deslocado. Devido a essa força, os corpos imersos apresentam um peso inferior ao apresentado no solo podendo flutuar. A flutuação diminui o efeito da ação gravitacional, reduzindo a compressão articular o que suaviza o impacto na realização dos movimentos facilitando a sustentação do próprio peso.

Para o iniciante, o envolvimento aquático pode ser desconfortável, sendo portanto necessário orientá-lo quanto à postura adequada, alinhamento do centro de gravidade e centro de flutuação, além de observar o nível da água, que deve estar na altura do peito, para que este exercício seja confortável. A pressão hidrostática é outro princípio físico a ser considerado ao elaborarmos um programa de hidroginástica. Quando um corpo está submerso na posição vertical em repouso, as forças compressivas exercidas pela pressão hidrostática favorecem o retorno venoso, ocorrendo um aumento no volume sanguíneo central. Como a água apresenta maior densidade e viscosidade do que o ar, irá provocar um aumento da resistência direta de forma consequente. Naturalmente, o deslocamento neste meio requer uma quantidade maior de energia despendida.

A temperatura da água é outro ponto fundamental a ser observado. Os exercícios realizados a uma temperatura de aproximadamente 26 a 29,5ºC favorecem uma melhor atitude fisiológica, já que em temperaturas muito baixas a circulação periférica é diminuída devido à vasoconstrição, reduzindo a oxigenação muscular, aumentando a rigidez, o risco de lesões e a ocorrência de cãibras. Quando entramos na piscina temos a sensação de que a água está fria, pois está a uma temperatura mais baixa do que o nosso corpo. Mas temos que ter em mente que iremos entrar na piscina para nos exercitar e não para ficar parados.

Então, porque é que a temperatura da água da piscina não pode ser mais elevada? Como fazemos exercício físico dentro da água e a água ajuda o sangue a voltar para o coração, se fizermos exercícios em água com temperatura mais alta a pressão arterial poderá baixar. Como o exercício físico causa dilatação dos vasos sanguíneos e com o retorno facilitado do sangue para o coração a pressão arterial pode diminuir e causar sintomas de tontura, visão turva e sensação de desmaio. Outro problema da água muito quente é que será necessária uma maior quantidade de cloro para a desinfecção da piscina. Com temperaturas altas, o produto evapora mais rápido e a proliferação de doenças poderia ser aumentada podendo provocar diarreias, dermatites, micoses, entre outras.

Hidroginástica na Terceira Idade

Embora a hidroginástica não seja uma atividade única e exclusiva para idosos, é nesta faixa etária que encontramos o maior número de praticantes. As vantagens que a hidroginástica oferece em comparação com os exercícios terrestres vão desde a possibilidade de aumento de sobrecarga com menor risco de lesões, passando pelo maior conforto devido à temperatura adequada da água. Em virtude da posição verticalizada, diferentemente da natação, pessoas que apresentam medo costumam adaptar-se bem à hidroginástica. A flexibilidade, o equilíbrio, a coordenação motora e a modificação da composição corporal são igualmente beneficiados pela hidroginástica. A sobrecarga natural que a água oferece pode ser intensificada ou reduzida de acordo com os objetivos que se queiram alcançar através da utilização de incrementos como flutuadores, luvas, step, halteres, entre outros. Este uso de incrementos só deverá ser utilizado após um período de adaptação, quando houver o pleno domínio do meio, não sendo indicado para todos. Desse modo evita-se o risco de sobrecarga excessiva, principalmente em relação à coluna cervical e lombar e à articulação do ombro.

Os exercícios aeróbios também devem ser controlados, onde o professor deverá estar atento aos sinais de exaustão do praticante utilizando a escala de BORG, que indicará um conhecimento do cansaço individual, evitando exageros. Os exercícios realizados devem procurar amplitude, coordenação e a atuação dos grandes grupos musculares primando pela simplicidade.

Com o aproveitamento das propriedades e benefícios da água, juntamente com as leis físicas acima relacionadas poderemos partir para uma diferenciação entre hidroginástica e a ginástica tradicional. Transferir os exercícios realizados em terra (nomeadamente em ginásios e academias) sem respeitar as características desse meio constitui um erro que pode causar danos aos praticantes.

Para além dos benefícios fisiológicos do exercício aquático descritos anteriormente, a hidroginástica também promove melhorias ao nível psicológico. Esta atividade oferece um ambiente de relaxamento e um aumento da sensação de bem-estar, independência e diminuição do stress e da depressão. A prática de hidroginástica diminui os sintomas depressivos através do fator social que promove, permitindo a interação e o convívio entre as pessoas idosas.

Claramente que esta forma de exercício físico tem conquistado um grande número de “jovens avós”, seja pelos resultados e benefícios físicos ou pelo bem-estar psicológico e social promovido pelo convívio e confraternização entre praticantes.

Referências bibliográficas

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Pedro Miguel Neves
Diretor Técnico MatosinhoSport
Licenciado Ciências do Desporto e Ed. Física, FCDEF-UP

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