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A importância de reabilitar em casa

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Em pleno século XXI a reabilitação de uma pessoa, seja numa situação aguda - por exemplo no seguimento de uma cirurgia - ou no contexto de uma doença crónica, já não se deve limitar aos tradicionais serviços de internamento e ambulatório. Deve aliás ser complementada com soluções de reabilitação no ambiente de desempenho, cujas vantagens, ainda pouco divulgadas, convidamos o leitor a conhecer.
reabilitar em casa

O Senhor Joaquim sofreu um AVC há cerca de dois meses. No hospital fez fisioterapia, terapia da fala e terapia ocupacional. Teve alta hospitalar mas continua à espera de ser chamado para iniciar a sua reabilitação em ambulatório. Sente-se naturalmente apreensivo, uma vez que lhe foi dito que os melhores resultados da reabilitação se obtêm durante os primeiros meses de intervenção.

Tal como o Senhor Joaquim, a Dona Maria do Carmo também esteve hospitalizada devido a uma fratura do colo do fémur, na sequência de uma queda. Após cirurgia, teve alta. Porém, ao chegar a casa, sente que necessita de ajuda para muitas das suas atividades.

É importante frisar que, antes de deixarem o hospital, o Senhor Joaquim e a Dona Maria têm o direito de ser informados sobre as opções que existem nas suas áreas de residência para obterem o apoio de que necessitam. No entanto, na realidade por vezes acontece que esta informação não é fornecida, ou é incompleta, ou ainda não é bem entendida. Cabe também aos cuidadores procurarem junto da assistente social encarregue do caso toda a informação necessária.

Por se tratar de uma abordagem relativamente recente, e nem sempre disponível, as opções de reabilitação no ambiente de desempenho muitas vezes não são analisadas. É fundamental, por isso, alertar para o facto de que, para além dos serviços de apoio domiciliário, alguns centros sociais disponibilizam serviços de fisioterapia, terapia ocupacional e psicologia, entre outros, ao domicílio. Da mesma forma, alguns centros de saúde e unidades hospitalares permitem o seguimento em casa por enfermeiros e técnicos de reabilitação. Simultaneamente, é possível recorrer a associações e empresas que disponibilizam serviços de alta qualidade e especializados.

Recorrendo a um destes serviços, o Senhor Joaquim pode iniciar em casa as terapias necessárias. Pode inclusive integrar no seu plano de reabilitação intervenções terapêuticas personalizadas que, por serem realizadas no seu ambiente de desempenho, permitirão a sua capacitação para a realização autónoma das suas atividades de vida diária. Imaginemos, por exemplo, que este senhor não consegue movimentar o braço direito. Poderá, com a ajuda do terapeuta ocupacional, treinar-se para ainda assim realizar a sua higiene, preparar as suas refeições, vestir-se, entre outras atividades, com autonomia.

Da mesma forma, a Dona Maria do Carmo pode ser assistida por um serviço de apoio domiciliário que lhe permita ter ajuda na higiene e alimentação, mas pode também realizar em casa as sessões de fisioterapia. Pode ainda pedir a um terapeuta ocupacional que adapte, por exemplo a sua casa de banho para poder usá-la com maior segurança.

A reabilitação no contexto de desempenho, seja o domicílio ou outros espaços onde a pessoa passe grande parte do seu tempo, permite realizar todo o tipo de treinos onde e quando as dificuldades surgem, em vez de no ambiente “laboratorial” de uma clínica ou hospital.

Por outro lado, permite que os técnicos tenham um contacto direto e mais aprofundado com a família e outros cuidadores, integrando-os no processo de reabilitação, fornecendo-lhes estratégias e ajudando-os a ultrapassar dificuldades, num verdadeiro trabalho de equipa.

Assim, aconselha-se que, ao planear a sua reabilitação ou a de alguém que esteja ao seu cuidado,
não exclua estas opções menos conhecidas. Opte por se informar quer nos hospitais e centros de saúde, quer nos centros sociais, associações e empresas que podem fornecer serviços na sua área de residência. A Internet pode, aqui, ser uma excelente aliada. Infelizmente nem sempre é fácil encontrar a solução mais indicada mas não se conforme. As soluções existem para o ajudar e servir.

Boa convalescença!

António Marques
Terapeuta Ocupacional

Patrícia Protásio
Gestora de Formação do projeto Eu Consigo

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